Abstract
De acordo com Schwarzer e Petrón (2005), os aprendizes de línguas de herança (LH) tendem a extrair muito pouco do tipo de instrução gramatical normalmente empregado em aulas de língua estrangeira (LE). Essa falta de aproveitamento é esperada porque, segundo Parodi (2008), o repertório linguístico dos aprendizes de LH lhes permite usar a língua para acessar a gramática, enquanto os aprendizes de LE fazem o contrário. No entanto, pouco se sabe em relação às opiniões e preferências dos aprendizes de LH sobre a instrução gramatical e sobre a eficácia dessa instrução. Este capítulo discorre a respeito de uma pesquisa realizada em duas etapas. A primeira parte aborda a visão de aprendizes de português LH no nível universitário a respeito da instrução gramatical, enquanto a segunda etapa trata da eficácia dessa instrução, focalizando o contraste entre os pretéritos perfeito e imperfeito. Os resultados da primeira etapa mostram que os participantes preferem o ensino da gramática de modo integrado, mas também valorizam a instrução explícita. Em relação à segunda parte da investigação, os dados mostram que o ensino gramatical nos moldes tradicionais de LE afeta pouco o desenvolvimento linguístico de aprendizes de português LH, pelo menos no que concerne o contraste focalizado. À luz dos dados analisados, oferecem-se sugestões para o ensino gramatical em aulas de português como língua de herança.